A resposta em uma frase
Para vender terceirização de limpeza a um condomínio, a empresa entrega ao síndico o material que ele precisa defender na assembleia: uma proposta por posto e por unidade, um comparativo item a item com a equipe própria, a documentação exigida pela Lei 6.019 e um plano de transição, e conduz a venda pelo calendário do conselho, não pela pressa do fechamento.
O essencial em cinco pontos
- No condomínio, quem assina é o síndico, mas quem aprova o gasto costuma ser o conselho e, quando a taxa sobe, a assembleia.
- O síndico compra argumento: ele precisa explicar aos vizinhos por que trocar a equipe vale a pena.
- A proposta que passa mostra o valor mensal e o quanto ele pesa na taxa de cada unidade.
- A Lei 6.019 lista o que a empresa de serviços precisa ter, e o condomínio responde subsidiariamente se ela deixar de pagar a equipe.
- O que mais trava a venda é a transição: o que acontece com os funcionários atuais e quem cobre férias e faltas.
A seguir: quem decide, o kit da assembleia, o comparativo, os documentos, a proposta, o roteiro, as objeções e o app.
Neste artigo
Contrato de condomínio é o tipo de cliente que muda o tamanho de uma empresa de limpeza: um posto fixo por anos, agenda previsível e um síndico que, satisfeito, comenta com o colega do prédio vizinho. Quem já sabe receber pedidos de limpeza da sua região descobre rápido que essa venda tem outra dinâmica.
A decisão é coletiva, demora semanas e passa por pessoas que nunca vão falar com você. Este roteiro mostra o que entregar a cada uma delas para que a sua proposta chegue inteira à reunião em que o assunto é votado.
Quem decide a limpeza do condomínio, e o que cada um quer saber
A limpeza do condomínio passa por quatro mesas: o síndico, que conduz e assina; o conselho, que analisa o gasto; a administradora, que confere documentos e folha; e os condôminos, que aprovam o orçamento na assembleia. Cada um faz uma pergunta diferente, e a proposta precisa responder a todas.
O erro mais comum é tratar o síndico como cliente final. Ele é o seu defensor dentro do prédio, e a sua tarefa é deixá-lo pronto para as perguntas que vai ouvir quando você não estiver na sala.
| Quem | Pergunta principal | O que entregar |
|---|---|---|
| Síndico | Vou ter menos problema ou mais? | Plano de cobertura de férias e faltas, supervisão e um canal único de chamado |
| Conselho | Quanto custa e por quê? | Proposta por posto, valor mensal e valor por unidade, com o que está incluso |
| Administradora | A empresa é regular? | Documentos da empresa e o pacote mensal de comprovantes da equipe alocada |
| Condôminos | A taxa vai subir e o prédio vai ficar melhor? | Resumo de uma página com o antes e o depois |
| Zelador e porteiros | O que muda na minha rotina? | Quem é o encarregado, como pedir uma limpeza extra, horários da equipe |
Em condomínio pequeno, o síndico acumula o papel do conselho; em condomínio com administradora forte, ela costuma filtrar as propostas antes do conselho.
Pergunte logo na primeira conversa como a decisão acontece naquele prédio: se a convenção exige assembleia para contrato desse valor, quando o conselho se reúne e se a administradora já tem uma lista de empresas. A resposta define o seu calendário de venda.
O que o síndico precisa levar à assembleia
Na assembleia, o síndico precisa de um material curto que mostre o problema atual, a solução proposta, o custo mensal e por unidade, a transição da equipe e a garantia de regularidade da empresa. Quem entrega esse kit pronto vira a proposta que o síndico prefere apresentar.
O Código Civil põe nas mãos do síndico o cuidado com os serviços das áreas comuns, e a assembleia anual aprova o orçamento das despesas (art. 1.350). Por isso, quando a terceirização mexe na taxa, o síndico precisa convencer os vizinhos, e não só decidir sozinho.
Compete ao síndico: [...] V - diligenciar a conservação e a guarda das partes comuns e zelar pela prestação dos serviços que interessem aos possuidores;
O kit que funciona cabe em poucas páginas. Abre com um resumo de uma folha, que o síndico consegue projetar ou ler em voz alta, e deixa o detalhe para os anexos que o conselho e a administradora vão consultar.
- Resumo de uma página: situação atual, proposta, valor mensal, valor por unidade e data de início.
- Escopo por área: hall, escadas, garagem, salão, academia, lixeiras e fachada térrea, com a frequência de cada uma.
- Escala e cobertura: quantos profissionais, em que horários, e quem substitui nas férias e nas faltas.
- Comparativo com a equipe própria: item a item, com os números da folha real do condomínio.
- Transição: o que acontece com os funcionários atuais e o cronograma das primeiras semanas.
- Documentação: a lista do que a sua empresa entrega na assinatura e todo mês.
Ofereça ao síndico estar disponível na assembleia, presencialmente ou por chamada, para responder às perguntas técnicas. Muitos preferem apresentar sozinhos, e tudo bem: o que importa é que o material responda sem você.
O comparativo com a equipe própria, sem número inventado
O comparativo que convence usa a folha real do condomínio, fornecida pela administradora, e coloca lado a lado o que cada modelo paga: salário, 13º, férias com um terço, FGTS, encargos, benefícios da convenção coletiva, cobertura de ausências, uniforme, material e supervisão. Número estimado pela sua empresa vira alvo fácil no conselho.
| Item de custo | Equipe própria | Terceirizada |
|---|---|---|
| Salário, 13º e férias com um terço | Condomínio | Empresa, dentro do valor do posto |
| FGTS e encargos sobre a folha | Condomínio | Empresa |
| Benefícios da convenção coletiva | Condomínio | Empresa |
| Substituto em férias, faltas e atestados | Condomínio contrata ou fica sem | Empresa repõe pela escala |
| Uniforme, EPI e material de limpeza | Condomínio compra | Depende da proposta: diga se está incluso |
| Supervisão e treinamento | Síndico ou zelador | Encarregado da empresa |
| Rescisão no desligamento | Condomínio | Empresa, para a equipe dela |
O condomínio continua obrigado a conferir se a terceirizada paga a equipe, porque responde de forma subsidiária (Lei 6.019, art. 5º-A, § 5º).
Para ter uma ordem de grandeza, a página de limpeza de condomínio que o portal mostra ao cliente traz a referência entre R$ 4.500 e R$ 6.900 por profissional por mês nas capitais. É média de mercado com margem larga, não tabela: o valor do seu posto sai do piso da convenção da sua região e da sua margem.
Esse último número é o que o condômino entende. Em vez de discutir R$ 15.000 por mês, a assembleia discute R$ 125 por apartamento, e compara com quanto já paga hoje pela equipe própria, dividida da mesma forma. Faça a conta com os dados da folha atual e mostre a diferença por unidade, para mais ou para menos.
Se a terceirização sair mais cara, diga. O argumento passa a ser o que o condomínio deixa de carregar: o risco da rescisão, a falta sem substituto e o tempo do síndico gerenciando escala. Comparativo que esconde a diferença perde a confiança do conselho na primeira conta refeita.
Os documentos que a sua empresa entrega, na assinatura e todo mês
A Lei 6.019 exige da empresa de prestação de serviços inscrição no CNPJ, registro na Junta Comercial e capital social compatível com o número de empregados. Além disso, a administradora vai pedir certidões negativas na assinatura e, todo mês, os comprovantes de que a equipe alocada no prédio recebeu salário, FGTS e INSS.
São requisitos para o funcionamento da empresa de prestação de serviços a terceiros: I - prova de inscrição no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica (CNPJ); II - registro na Junta Comercial; III - capital social compatível com o número de empregados [...]
| Empregados | Capital social mínimo |
|---|---|
| Até 10 | R$ 10.000 |
| De 11 a 20 | R$ 25.000 |
| De 21 a 50 | R$ 45.000 |
| De 51 a 100 | R$ 100.000 |
| Mais de 100 | R$ 250.000 |
Faixas do art. 4º-B, inciso III, da Lei 6.019/1974. Confira o contrato social antes de propor: administradora atenta pede esse documento.
Na assinatura, o pacote costuma ter cartão do CNPJ com a atividade de limpeza em prédios, contrato social, certidão negativa federal, certificado de regularidade do FGTS e certidão negativa de débitos trabalhistas. Entregue tudo numa pasta só, digital e impressa, com a data de validade de cada certidão.
Todo mês, a sua empresa envia à administradora a folha da equipe que trabalha no prédio, com os comprovantes de salário, FGTS e INSS. Não espere o pedido: a empresa que manda o pacote antes da data ensina ao condomínio que a terceirização está sob controle.
Pela Lei 6.019, a empresa contratante responde subsidiariamente pelas obrigações trabalhistas do período em que usou a equipe terceirizada. Se a sua empresa deixa de pagar, a conta pode chegar ao condomínio. É essa exposição que o pacote mensal tranquiliza.
Documentação não fecha contrato sozinha, mas a falta dela derruba qualquer proposta na mesa da administradora. Trate a pasta como parte do produto que você vende.
Como montar a proposta para o condomínio
A proposta para condomínio é escrita por posto: quantos profissionais, em que escala e horário, quais áreas cada um cobre e com que frequência, o que está incluso de material e supervisão, como funciona a cobertura de ausências, o valor mensal, o valor por unidade, a validade da proposta e a data e o índice de reajuste.
Antes de escrever, faça a visita técnica com o zelador. Percorra garagem, lixeiras, escadas e áreas de lazer, cronometre mentalmente o tempo de cada área e pergunte onde estão as reclamações dos moradores. A proposta que cita essas reclamações pelo nome mostra que a empresa ouviu.
| Parte | O que escrever | Erro a evitar |
|---|---|---|
| Postos e escala | Dois profissionais de segunda a sábado, das 7h às 16h | Falar em "equipe" sem número de pessoas |
| Áreas e frequência | Hall e elevadores duas vezes ao dia; garagem uma vez por semana | Escrever "limpeza geral das áreas comuns" |
| Material e equipamentos | Incluso ou fornecido pelo condomínio, com a lista | Deixar para combinar depois |
| Cobertura | Reposição em até um dia útil nas faltas; substituto nas férias | Prometer reposição na hora sem ter folguista |
| Supervisão | Visita do encarregado toda semana, com registro | Supervisão que ninguém vê |
| Valor | Mensal e por unidade, com validade de 30 dias | Mandar só o total |
| Reajuste | Na data-base da convenção coletiva, com a regra escrita | Reajuste sem data combinada |
Exemplos ilustrativos. A escala real depende do tamanho do prédio e do horário de uso das áreas comuns.
A lógica de descrever cada item por resultado, em vez de lista genérica de tarefas, é a mesma do modelo de orçamento de limpeza. No condomínio, ela ganha a dimensão do posto: o síndico precisa ver quem estará no prédio e quando.
Inclua um plano de transição em uma tabela simples de quatro semanas: a limpeza de implantação, a apresentação da equipe ao zelador, o ajuste de horários e a primeira reunião de avaliação com o síndico. É o que mostra que a troca não vai deixar o prédio sujo por uma semana.
Roteiro de venda: da primeira conversa ao voto
A venda para condomínio segue o calendário do prédio: primeira conversa com o síndico, visita técnica, proposta com kit de assembleia, ajuste depois do conselho, retomada antes da reunião e apresentação da equipe depois da aprovação. Cada etapa termina com uma data marcada para a seguinte.
- Descubra como o prédio decide. Na primeira conversa, pergunte quem aprova, quando o conselho se reúne e se há assembleia marcada.
- Faça a visita técnica com o zelador. Anote as áreas, os horários de uso e as queixas que se repetem.
- Mande a proposta com o kit da assembleia. Proposta por posto, resumo de uma página, comparativo e lista de documentos.
- Ajuste depois do conselho. Pergunte ao síndico o que o conselho questionou e mande uma versão nova, identificada como revisão.
- Retome antes da reunião. Na semana da assembleia, ofereça responder às dúvidas e confirme se o material chegou a todos.
- Apresente a equipe depois do voto. Leve o encarregado ao prédio antes do primeiro dia e combine o canal de chamado com o zelador.
A mensagem depois da visita pode ser direta: "Síndica, obrigado pela visita de hoje. Anotei as duas queixas do hall e da garagem e a proposta vai tratar das duas. Envio até quinta, com um resumo de uma página para a senhora levar ao conselho".
Antes da assembleia, a retomada é sobre ajudar, não sobre cobrar resposta: "Bom dia, Síndica. A assembleia é na terça, certo? Se quiser, preparo uma versão do resumo para projetar e fico disponível por telefone durante a reunião". O ritmo das retomadas quando a proposta fica sem resposta está no artigo sobre follow-up de orçamento de limpeza.

A venda para condomínio raramente se perde por preço numa única conversa. Ela se perde quando a empresa some entre o envio da proposta e a assembleia, e o síndico chega à reunião com o material de quem ficou por perto.
Objeções do conselho e erros que derrubam a proposta
As objeções mais comuns do conselho são o medo de perder funcionários antigos de confiança, a desconfiança com a rotatividade da terceirizada, o receio da responsabilidade trabalhista e a comparação com a proposta mais barata. Cada uma tem uma resposta concreta, que deve estar escrita na proposta antes de virar pergunta.
- "O seu José está aqui há doze anos." Ofereça avaliar a contratação dos funcionários atuais pela sua empresa. Deixe claro que a rescisão com o condomínio, incluindo a multa do FGTS, continua sendo do condomínio.
- "Terceirizada troca gente toda hora." Escreva que a equipe é fixa no prédio e que toda troca é avisada ao síndico antes.
- "E se a empresa não pagar o pessoal?" Mostre o pacote mensal de comprovantes e a data em que ele chega à administradora.
- "A outra proposta é mais barata." Peça para comparar por posto e por item: escala, cobertura de férias, material e supervisão.
O erro que mais derruba proposta é o escopo vago. "Limpeza das áreas comuns" sem frequência por área parece barato no papel e vira briga no segundo mês, quando o morador descobre que a garagem não é lavada toda semana.
Outro erro é prometer reposição imediata de falta sem ter folguista na escala. O síndico vai cobrar essa frase no primeiro atestado, e a confiança perdida ali não volta com desconto. Para a objeção de preço em geral, o roteiro completo está no guia de como vender mais na empresa de limpeza.
Como o app da rede organiza a proposta e a prestação de contas
No app do Limpeza Hub para empresas parceiras, a proposta vai por link com a marca da empresa, avisa quando o síndico abre, guarda as versões revisadas depois do conselho e pode ser impressa ou salva em PDF para a assembleia. Fechado o contrato, ele entra com mensalidade, reajuste e visitas na agenda da equipe.
Na venda, o funil mostra em que etapa está cada condomínio, com a data do próximo contato e o motivo quando a proposta é perdida. Como a decisão leva semanas, o lembrete de follow-up evita que a retomada antes da assembleia dependa da memória de alguém.
A proposta por link mostra os serviços e pacotes do seu catálogo e a validade, com aviso perto do vencimento. Quando o conselho pede ajuste, a nova versão fica guardada ao lado da anterior, e o síndico pode aprovar ou assinar pelo celular.

Em campo, o checklist por área garante que a garagem prometida na proposta é lavada no dia combinado, e as fotos de antes e depois ficam com data e bairro. O relatório de cada visita, enviado por link, junta essas fotos e o checklist, e é o material que o síndico mostra ao conselho na prestação de contas.
O contrato recorrente põe as visitas na agenda da equipe, com mensalidade e reajuste na data combinada. O zelador ou o síndico podem abrir um chamado por link quando precisam de uma limpeza extra, sem depender do celular de ninguém da equipe. A forma de levar esse cliente de pedido avulso a contrato fixo está no artigo sobre cliente avulso em contrato recorrente.
O app não negocia com o síndico nem define o valor do posto. Ele guarda o caminho da venda e o registro de cada visita, que é o que sustenta a renovação do contrato depois do primeiro ano.
Como chegar à assembleia com a proposta pronta para ser aprovada
Descubra como o prédio decide, faça a visita técnica com o zelador e escreva a proposta por posto, com o valor mensal e por unidade. Monte o comparativo com a folha real do condomínio e diga com franqueza onde a terceirização custa mais.
Entregue a documentação da Lei 6.019 antes de ser pedida, prepare o kit que o síndico leva aos condôminos e fique por perto até o voto. Depois, a prestação de contas mensal é o que transforma o primeiro contrato em indicação para o prédio vizinho.
Termos usados neste artigo
- Posto de limpeza
- Vaga de trabalho fixa no condomínio, com escala e horário definidos, coberta por profissional da empresa terceirizada.
- Kit de assembleia
- Material curto que o síndico apresenta aos condôminos: resumo, valor por unidade, comparativo, transição e documentação.
- Responsabilidade subsidiária
- Obrigação do contratante de responder por dívidas trabalhistas da terceirizada quando ela não paga a própria equipe.
- Visita técnica
- Percurso pelo condomínio antes da proposta para medir áreas, horários de uso e queixas dos moradores.
- Valor por unidade
- Custo mensal da limpeza dividido pelo número de apartamentos ou salas, forma como o condômino enxerga o gasto.
Os mesmos termos aparecem no app das empresas parceiras, para o artigo e a rotina da empresa falarem a mesma língua.
Fontes consultadas
- Lei 6.019/1974 — Trabalho temporário e prestação de serviços a terceirosArt. 4º-B: requisitos da empresa de prestação de serviços, com capital social por número de empregados. Art. 5º-A, § 5º: responsabilidade subsidiária da contratante.
- Código Civil (Lei 10.406/2002) — Do condomínio edilícioArt. 1.348, V: competência do síndico sobre a conservação das partes comuns e os serviços. Art. 1.350: assembleia anual aprova o orçamento das despesas.
Os valores, os nomes e as mensagens do artigo são exemplos ilustrativos. O valor do posto depende da convenção coletiva da sua região; confirme com o seu contador e com um advogado o modelo de contrato antes de apresentar a proposta.
Equipe editorial Limpeza Hub
Conteúdo para quem administra empresa de limpezaA equipe editorial escreve a partir do dia a dia das empresas parceiras: o pedido que chega, a conversa no WhatsApp, a proposta, a agenda da equipe e o caixa. Cada regra é citada pela lei ou norma de origem, e cada número vem com a fonte.
Antes de publicar, o texto passa por empresas parceiras de terceirização e limpeza comercial — quem executa o serviço no dia a dia confirma etapas, prazos e cuidados.
Empresas parceiras de terceirização e limpeza comercial confirmam rotina, prazos e números.
Lei, norma ou órgão público indicado pelo nome e pelo artigo.
Preços e regras revistos quando o mercado ou a lei mudam.


